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Antes de matar esposa a facadas, homem arrumava malas para ir embora em MT

por Gabi Braz
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Leidiane Ferro da Silva, de 43 anos, foi morta a facadas por Wendel Santos, de 37 anos, na última segunda-feira (15), na cozinha de casa, em Peixoto de Azevedo

Antes de ser morta a facadas pelo companheiro, Leidiane Ferro da Silva, de 43 anos, passou por um relacionamento conturbado com Wendel Santos, de 37 anos, com términos e voltas constantes, chegando a ser agredida e a precisar de uma medida protetiva contra o homem.

Ao Primeira Página, a delegada Anna Marien, que está à frente do caso, afirmou que no dia do crime, Wendel se preparava para ir embora da casa onde morava com a vítima, em Peixoto de Azevedo, a 692 km de Cuiabá.

Momento em que Leidiane Ferro da Silva, de 43 anos, é morta a facadas pelo companheiro. (Vídeo: Reprodução)

O dia do crime

Leidiane foi morta na última segunda-feira (15), na casa onde morava com o suspeito. Câmeras de segurança mostram o momento em que o casal e a filha de Wendel estavam na cozinha e, de repente, o homem vai em direção à vítima, pega uma faca e a atinge com vários golpes.

No momento do crime, ambos estariam discutindo por ciúmes do homem contra a vítima. Wendel desconfiava que pudesse estar sendo traído por Leidiane, como afirmou a delegada Anna Marien.

Naquele dia, Wendel arrumava as malas para se separar de Leidiane e ir embora, a pedido da filha dele – que estava preocupada com as constantes brigas entre o casal, segundo a delegada.

Leidiane foi morta a facadas na última segunda-feira (15), pelo companheiro, em Peixoto de Azevedo. (Foto: Reprodução)
Leidiane foi morta a facadas na última segunda-feira (15), pelo companheiro, em Peixoto de Azevedo. (Foto: Reprodução)

Após esfaquear e matar a vítima, o homem fugiu da cidade. Porém, ele foi preso nessa sexta-feira (19), após se apresentar, acompanhado de um advogado, em uma delegacia de Terra Nova do Norte, a 648 km de Cuiabá.

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Histórico do casal

Leidine já havia sido agredida por Wendel em fevereiro deste ano. Câmeras de segurança também flagraram o momento em que ela é enforcada pelo homem na cozinha de casa – mesmo local onde foi morta dias depois.

Imagens são fortíssimas e a equipe do Primeira Página decidiu borrar o vídeo. Na ocasião, Leidiane chega a desmaiar. Veja as imagens:

Agressão foi registrada em fevereiro. (Vídeo: Reprodução)

Após a agressão, Leidiane registrou um boletim de ocorrência contra Wendel e pediu na Justiça uma medida protetiva contra ele – que foi descumprida pelo homem dias depois, como contou a delegada Anna Marien ao Primeira Página.

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O relacionamento, segundo a delegada, era conturbado e caracterizado por constantes términos e voltas, além de brigas entre o casal.

“Infelizmente isso é muito mais comum do que a gente gostaria, porque fica nessa questão, a gente chama de ciclo, né, de violência. Esse vai e volta, esse momento de paz de lua de mel e momentos de muita agressividade e violência. É nesse ciclo de violência que o relacionamento deles acabava se pautando”, afirma a delegada do caso.

Natural de Peixoto de Azevedo, o suspeito possui uma passagem criminal por roubo, cometido em 2016 na cidade de Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá.

Interrogatório

Wendel permaneceu em silêncio durante o depoimento na manhã deste sábado (20) em Terra Nova do Norte, onde segue preso preventivamente e deve passar por audiência de custódia na tarde de hoje, como explicou a Polícia Civil.

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Alerta às mulheres

Diante de situações como essa, em que há um histórico de desentendimentos e agressões entre um casal, a delegada Anna Marien destaca a importância de que as mulheres tenham coragem para pedir ajuda e saírem de um possível relacionamento abusivo, já que ele pode terminar em morte.

Outro ponto importante, como diz a delegada, é o alerta para relacionamentos nos quais não tenha ocorrido agressão física, pois, ainda assim, eles podem ser caracterizados como abusivos.

“Não é só uma questão de relacionamento, existe também uma dependência emocional, financeira que acaba trazendo muitas dificuldades em botar fim no relacionamento. Às vezes, as mulheres falam assim ‘ah, ele nunca me bateu’, mas, ao mesmo tempo, são humilhadas, colocadas para baixo, alvos de xingamentos e isso já está errado. Que elas não esperem chegar em uma agressão física, que elas tenham coragem e força […] estamos à disposição para atendê-las, para que possam ter uma vida mais tranquila, mais leve” destaca Maurien.

  • Jaqueline Naujorks

    Jaqueline Naujorks

    Relacionamento abusivo: a agressão cotidiana que não deixa marcas

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